A uma semana do segundo turno, Flávio Bolsonaro participou neste domingo de um comício na Avenida Paulista em que voltou a assegurar que o ex-presidente Jair Bolsonaro — que cumpre prisão domiciliar em Brasília — estará presente na cerimônia de posse caso o filho seja eleito. A declaração reforça a intenção do candidato de dar tratamento favorável ao pai, embalando o discurso de anistia que tem circulado na campanha.

No mesmo ato, Flávio afirmou que pretende nomear quatro ministros ao Supremo Tribunal Federal alinhados a posições contrárias ao aborto e às políticas de descriminalização de drogas. Ele também confirmou que participará do debate marcado na TV Band, prometendo confrontar o presidente Lula. O posicionamento sobre indicações ao STF coloca no centro da campanha uma agenda com impacto direto sobre a independência institucional.

O evento teve emissão simbólica de forte carga provocativa: apoiadores carregaram uma réplica inflável de míssil com a frase 'Trump nuke Brazil'. A presença do objeto e de outras faixas e cartazes explicitou a radicalização de parte da base e cria um elemento de repercussão internacional e doméstica que pode ampliar desgaste e levantar dúvidas sobre o tom adotado pela campanha na reta final.

Entre os presentes, eleitores justificaram o voto com argumentos de endurecimento das leis e insatisfação com o PT e a situação econômica. Uma técnica de enfermagem disse buscar maior representatividade, enquanto um aposentado afirmou que é hora de mudança. Politicamente, as promessas de anistia e de mudanças na composição do STF complicam a narrativa oficial do PL, elevam o custo político do projeto e tendem a ser tema central no debate sobre governabilidade se Flávio avançar.