Em evento de campanha realizado nesta sexta-feira (9) na Ilha Itanhangá, na Barra da Tijuca, o senador Flávio Bolsonaro (PL) afirmou que está alinhado com o candidato ao governo do Rio Douglas Ruas para “declarar guerra” ao crime organizado. No intervalo do ato, que reuniu apoiadores e políticos, o candidato citou explicitamente Comando Vermelho, PCC e milícias como alvos da iniciativa e rejeitou rumores sobre uma eventual privatização da Petrobras.
A retórica dura contrasta, porém, com registros do passado que complicam a narrativa. Documentos e reportagens mostram que, quando deputado estadual, Flávio chegou a apresentar moções favoráveis a Adriano da Nóbrega (2003) e patrocinou a concessão da Medalha Tiradentes a ele em 2005; figuras ligadas ao miliciano também trabalharam no seu gabinete. Douglas Ruas traz na biografia a proximidade política com o pai, Capitão Nelson (PL), citado no relatório final da CPI das Milícias da Alerj de 2008 — acusação que Nelson nega.
No plano programático, o candidato rechaçou boatos de que extinguiria o Bolsa Família e agradeceu o apoio de Augusto Cury (Avante), mas suas mensagens econômicas já sofreram questionamentos. O PLOA de 2023, enviado ao Congresso em 2022 pelo governo do então presidente Jair Bolsonaro, previa queda de 59% no orçamento do Farmácia Popular; a coordenadora econômica da campanha, Daniella Marques, vem dizendo que haverá redução de ministérios e cortes de despesas. Relatórios da equipe estudaram medidas que poderiam gerar até R$ 250 bilhões em economia, incluindo mudanças em aposentadorias e benefícios, embora a campanha afirme que essas não são posições oficiais.
O cruzamento entre discurso de segurança, vínculos controversos e sinalizações de ajuste fiscal acende alerta e expõe contradições que podem ser exploradas pela oposição. Para eleitores dependentes de políticas sociais, a promessa de manutenção dos programas precisa ser compatibilizada com propostas de enxugamento do Estado; no tabuleiro político, a combinação de passado e propostas econômicas amplia desgaste e complica a narrativa do candidato em busca de expansão nacional.