O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) abriu nesta terça-feira em Washington a etapa final da investigação conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) sobre sobretaxas que podem incidir sobre produtos brasileiros. A participação do parlamentar ocorre na sessão considerada decisiva antes da definição, prevista para 15 de julho.
Além de Flávio, o painel reúne nomes ligados ao setor produtivo, como o ex-diretor-geral da OMC Roberto Azevêdo, representando a CNI, e Letícia Sperb Masselli, da Abicalçados. Eles defendem que a imposição de tarifas elevaria custos, reduziria investimentos e pressionaria empregos brasileiros — argumentos com foco técnico, mas também de impacto econômico e social.
O senador posicionou sua presença como defesa dos interesses empresariais e da inclusão financeira, afirmou que vai sustentar argumentos técnicos e lançou críticas à condução da política externa do governo Lula, responsabilizando a gestão atual pelo agravamento das relações com Washington. A viagem é a sexta dele aos EUA e tem componente eleitoral: ministros do próprio campo e aliados apontam que parte da mobilização busca minimizar o efeito do chamado 'tarifaço' sobre sua eventual campanha.
A iniciativa mistura atuação técnica e narrativa política, o que amplia o custo para a diplomacia brasileira caso as acusações sobre o papel do governo na disputa ganhem tração. Se Washington mantiver as sobretaxas, o impacto será econômico — com setores pressionando por medidas compensatórias — e político, com reflexos na capacidade do Planalto de controlar a agenda externa e de reduzir desgaste doméstico.