O senador Flávio Bolsonaro (PL), derrotado na disputa presidencial, publicou nesta quarta-feira (28/10) uma carta a partir dos Estados Unidos em que se autodeclara o verdadeiro presidente eleito e anuncia que liderará uma estratégia de resistência à posse do presidente eleito. No texto, ele se dirige ao público interno e à comunidade internacional, agradece a acolhida de líderes como Donald Trump e Javier Milei e afirma que seguirá a liderança da oposição mesmo estando fora do país.
Na carta, o parlamentar repete acusações de fraude no pleito e descreve um quadro de suposta «tirania» e uso da máquina pública em benefício da reeleição — argumentos que, segundo ele, justificariam a cassação da chapa vencedora. Flávio diz que passará a se dirigir regularmente ao povo brasileiro, apresentará um plano para mobilizar apoio «por meios pacíficos e legítimos» e aponta o senador Rogério Marinho como opção da oposição para a presidência do Senado. Ele também pede às instituições que não normalizem o que chama de irregularidades.
O gesto tem efeitos políticos concretos: ao recusar implicitamente o veredito das urnas e internacionalizar a narrativa, Flávio amplia a polarização e projeta a disputa para além do calendário eleitoral. A autodeclaração testa a capacidade de resposta de instituições como o Congresso e o Judiciário e complica o já delicado arranjo do PL, que terá de equilibrar apoio à família Bolsonaro com a necessidade de agir dentro das regras institucionais para não se perder em rupturas discursivas que afastem eleitores moderados.
Mais do que uma declaração simbólica, trata-se de uma estratégia política que pode pressionar aliados, alimentar recursos jurídicos e manter o país em clima de tensão nas próximas semanas. Resta ver se a aposta em mobilização externa e em falas públicas regulares vai consolidar uma base de apoio significativa ou se servirá sobretudo para cristalizar a narrativa de um núcleo político isolado — com custo político para o próprio PL e para quem apostar nessa via.