A articulação em torno da chapa de Flávio Bolsonaro dá um passo visível: dirigentes do PP ouvidos por interlocutores do núcleo do PL disseram ao Correio que a senadora Tereza Cristina (PP-MS) aceitou o convite para ocupar a vaga de vice. Segundo essas fontes, o apoio foi condicionado à ampliação do espaço feminino em um eventual governo do senador, sinal que a parlamentar coloca como contrapartida política e simbólica a sua entrada na disputa.

O cenário, porém, segue incerto. O gabinete de Tereza Cristina divulgou nota ressaltando que a Vice-Presidência foi tema abordado pela primeira vez, mas reafirmou que "nada foi decidido" e que qualquer composição depende de avaliações políticas, pessoais e acertos partidários. Publicamente, a senadora vinha descartando a possibilidade nas últimas semanas — afirmando preferência por disputar a reeleição ao Senado e, depois, buscar a presidência do Senado — o que torna a evolução das negociações um ponto sensível para sua narrativa política.

Politicamente, a aproximação com Tereza teria efeitos claros: ela agrega prestígio no agronegócio, trânsito junto ao Centrão e potencial para ampliar o apelo da candidatura além do eleitorado bolsonarista, incluindo eleitoras. Ao mesmo tempo, a mudança de postura expõe uma contradição entre declarações públicas e tratativas internas, o que pode ser explorado por adversários e provocar desgaste entre eleitores que esperavam a manutenção da estratégia de reeleição ao Senado.

No tabuleiro da campanha, a movimentação vem acompanhada de profissionalização do comando de comunicação: o publicitário Duda Lima foi anunciado para o posto, substituindo Alexandre Oltramari e Eduardo Fischer. Assinado por Rogério Marinho, o comunicado destaca a experiência de Lima — ligado ao presidente do PL e responsável pela propaganda de 2022 — e indica que a coordenação busca reforçar a estratégia de marketing eleitoral. Mesmo com esses sinais, a formação definitiva da chapa depende de consultas internas e de acertos entre PL e PP.