Em ato político realizado em Fortaleza nesta quarta-feira (21), Flávio Bolsonaro (PL-RJ) transformou a disputa pelo Supremo Tribunal Federal em um dos eixos da campanha no segundo turno. O candidato afirmou que, se for eleito, não permitirá que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva emposse novos ministros alinhados ao governo e fez referência direta ao atual ministro Alexandre de Moraes como símbolo dessa estratégia de indicações.
A declaração busca explorar a percepção de composição do tribunal como fator decisivo para a esfera política e para votantes sensíveis a temas como segurança pública e valores conservadores. Politicamente, a aposta procura ampliar desgaste sobre o governo, ao mesmo tempo em que sinaliza para parte do eleitorado que a mudança de Executivo pode alterar decisivamente o perfil do STF — um recado claro aos eleitores e ao próprio Senado, que analisa sabatina de nomeações.
Os fatos já conhecidos reforçam o peso dessa disputa: Lula empossou três ministros desde 2023 (Cristiano Zanin, Flávio Dino e a indicação de Jorge Messias, esta última barrada pelo Senado em 2026) e há hoje uma vaga aberta após a saída de Luís Roberto Barroso. Além disso, até quatro assentos podem ser substituídos nos próximos anos por aposentadorias compulsórias de ministros com previsão para 2028–2030. A existência dessas vagas legitima, do ponto de vista institucional, o debate sobre futuras indicações.
Já no plano político, a ênfase de Flávio no tema tende a acender alerta sobre a judicialização da agenda presidencial e a complicar a narrativa oficial do Palácio do Planalto, que tem de responder tanto às críticas quanto ao potencial de desgaste. Resta saber se a tática converterá inquietação judicial em voto — e como o Senado e as instituições reagirão caso a disputa pelo controle de nomeações cresça nos próximos meses.