O senador Flávio Bolsonaro (PL) disse nesta quarta-feira (23/9), em transmissão ao vivo com aliados como o governador Tarcísio de Freitas e o prefeito Ricardo Nunes, que pretende manter as apostas esportivas no país, mas proibir os cassinos on-line. Embora afirme ser "contra jogos", o candidato traçou uma distinção entre modalidades vinculadas a eventos esportivos — que, segundo ele, admitiriam maior controle — e as plataformas de cassino virtual, apontadas como responsáveis pelo endividamento de usuários e citadas nominalmente pelo apelido 'Jogo do Tigrinho'.
Na mesma transmissão, Flávio atribuiu ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva a responsabilidade pela expansão das dívidas relacionadas às plataformas de apostas. A declaração, porém, deixa de lado etapas anteriores do processo regulatório: a modalidade de apostas de quota fixa foi legalizada em 2018, no governo de Michel Temer, e o prazo para regulamentação terminou em dezembro de 2022, no fim do governo Jair Bolsonaro, sem a conclusão do processo. O dado coloca em questão a leitura simplista que associa exclusivamente a atual gestão à expansão do setor.
Politicamente, a posição do candidato busca ocupar um espaço dual: conservar a indústria das 'bets' — com seus interesses econômicos e eleitorais — ao mesmo tempo em que adota sinalizações moralizadoras contra os cassinos digitais. É uma tentativa de neutralizar o discurso de Lula, que passou a usar relatos de vítimas do vício para advogar restrições mais duras, sem cortar totalmente uma atividade que movimenta mercado e arrecadação. O gesto também acende pontos de tensão com eleitores conservadores e com possíveis demandas por maior clareza sobre fiscalização e efeitos sociais.
A proposta anuncia efeitos práticos imediatos: pressiona Congresso e órgãos reguladores a detalhar o que seria permitido e proibido, e amplia o debate público sobre responsabilidade, controle e proteção ao consumidor no setor. Ao jogar a culpa exclusivamente sobre o governo federal atual, Flávio evita discutir a sequência legislativa que levou à expansão das apostas, o que fragiliza a argumentação e exige do candidato um roteiro claro sobre como traduzir a promessa em política pública sem gerar insegurança jurídica.