Em meio a episódios recentes que levantaram críticas sobre posturas misóginas dentro da própria base conservadora, o senador Flávio Bolsonaro usou a live de lançamento do programa Brasil por Elas para tentar reposicionar a pauta do combate à violência contra mulheres como uma bandeira também da direita. Na transmissão, ele defendeu que a causa não deve ser percebida como exclusiva de setores progressistas e apresentou iniciativas voltadas ao público feminino.
A principal novidade anunciada foi a assistente virtual batizada de MarIA, descrita pela campanha como ferramenta de apoio a mulheres — desde pedidos de ajuda em situações de violência até orientações para acesso a serviços públicos. A peça de divulgação, produzida com inteligência artificial, mostra usos que vão do socorro em casos de agressão até auxílio para abertura de MEI e agendamento de exames. A proposta técnica busca combinar alcance digital com argumentação social.
Politicamente, o gesto tem dupla leitura: por um lado, funciona como tentativa explícita de neutralizar a imagem de candidato associado a episódios de desgaste; por outro, sinaliza uma estratégia ampla para reconquistar eleitorado feminino, incluindo a abertura explícita para compor a chapa com uma vice mulher. A menção a nomes como Daniella Marques e deputadas aliadas reforça a aposta em aparatos e rostos que transmitam inclusão.
Há, contudo, limites práticos e riscos de narrativa. A promoção de uma solução tecnológica não elimina a necessidade de políticas públicas robustas e serviços presenciais efetivos — e pode ser criticada como ação de comunicação se não vier acompanhada de investimentos concretos. Em termos eleitorais, a iniciativa mostra esforço de reposicionamento e tenta apagar contradições recentes, mas só se transformará em vantagem política se converter medidas em resultado percebido pelas mulheres no dia a dia.