A campanha de Flávio Bolsonaro (PL) anunciou nesta segunda-feira (17/8) o cancelamento da viagem a Juiz de Fora (MG) por questões meteorológicas. A assessoria citou “falta de teto” — condição em que a base das nuvens está muito baixa e impede a decolagem — como motivo para suspender a motociata prevista a partir do Aeroporto da Serrinha até a Praça da Estação.

O percurso de 7,8 km e o discurso público foram interrompidos, mas a coordenação do PL afirmou que o candidato manteria a agenda noturna em Belo Horizonte, onde às 19h participará do lançamento da candidatura de Flávio Roscoe ao governo de Minas. A decisão priva o candidato de um contato direto com eleitores em uma cidade com história sensível para a família Bolsonaro: foi ali, em 2018, que Jair Bolsonaro sofreu atentado.

Além do fator climático, o episódio se dá em um contexto de segurança ainda sensível. No fim de semana, um homem suspeito de postar ameaças contra o primogênito de Jair Bolsonaro em Juiz de Fora foi alvo de busca e apreensão e conduzido para depoimento. No domingo, Flávio realizou ato no Rio usando colete à prova de balas. Esses elementos ajudam a explicar a cautela da campanha, sem, contudo, transformarem uma justificativa técnica em explicação única.

Politicamente, a suspensão da motociata tem impacto pragmático: reduz exposição local e força a agenda a se concentrar em eventos controlados, como o lançamento em Belo Horizonte, onde o PL busca consolidar palanque após indefinições sobre nomes do estado. A leitura mais imediata é operacional; a médio prazo, a campanha precisará equilibrar segurança, logística e necessidade de presença em campo na disputa rumo a 2026.