Em entrevista ao podcast Inteligência Ltda., o senador Flávio Bolsonaro afirmou que a decisão de colocar seu nome como pré-candidato à Presidência passou por uma avaliação estratégica conduzida pelo ex‑presidente Jair Bolsonaro. Segundo ele, o desenho levou em conta o cenário eleitoral em São Paulo e a capacidade de manter Tarcísio de Freitas como peça central na disputa local.

O argumento reforça a percepção do núcleo bolsonarista de que São Paulo, como maior colégio eleitoral, é um ponto sensível: a saída do governador da corrida estadual criaria um vácuo difícil de preencher. Flávio disse também que levantamentos eleitorais orientaram a escolha, sinalizando que as pesquisas continuam a ditar prioridades e movimentar decisões internas.

Tarcísio ainda tem muito a entregar

A ênfase em preservar Tarcísio no tabuleiro paulista expõe uma vulnerabilidade política: a campanha presidencial parece depender da manutenção de um aliado forte no estado para evitar erosão de votos e aparente fragilidade territorial. Esse encadeamento de prioridades limita alternativas e pode gerar pressão sobre o governador para permanecer fiel ao projeto nacional.

Flávio afirmou ter comunicado em primeiro lugar a Tarcísio sobre sua intenção de disputar o Planalto e afirmou que pretende manter uma agenda conjunta durante a campanha. A declaração busca transmitir unidade e evitar rachas públicos, mas também revela centralização de decisões no entorno de Jair Bolsonaro e no grupo familiar-político que orienta a estratégia.

Do ponto de vista político, a explicação do senador funciona como leitura de risco: mostra que a candidatura foi, em parte, uma reação a um problema logístico-eleitoral em São Paulo, mais do que uma iniciativa puramente programática. Resta ver se manter Tarcísio como ativo será suficiente para mitigar os impactos das pesquisas e consolidar o projeto rumo a 2026.

Fui o primeiro a comunicar a ele minha intenção de disputar o Planalto