Em discurso neste sábado (27/6) durante o lançamento de candidaturas do PL em Goiás, o senador Flávio Bolsonaro adotou tom apaziguador e afirmou que a briga com Michelle Bolsonaro é 'página virada'. O pré-candidato reafirmou apelos à união interna: 'é muito importante todos nós, sem exceção, estarmos cada vez mais unidos, deixarmos nossas pequenas diferenças de lado', disse, em gesto claro para reduzir efeitos políticos da crise familiar.

O episódio estourou após um vídeo de quase 30 minutos publicado por Michelle, na quarta-feira (24/6), em que a ex-primeira-dama afirma ter sido desrespeitada e humilhada por Flávio durante uma ligação. A gravação, que relata pedido para que Michelle ficasse 'de fora das decisões do partido' e acusa tratamento ríspido, gerou desgaste imediato na pré-campanha do senador, forçando respostas públicas e uma nota subsequente na qual Flávio negou a intenção de humilhar e pediu desculpas 'se o fiz em algum momento'.

No evento, além do pedido de união, Flávio sinalizou política e simbolicamente ao dizer que pretende ter uma mulher como candidata a vice e citar Ana Paula Rezende — vice de Wilder Morais — como exemplo de qualificação. O gesto tem duplo efeito: ao mesmo tempo que amplia apelo eleitoral por inclusão, busca recompor imagem frente ao episódio com Michelle e reduzir o custo político diante de eleitores e prováveis aliados.

A tentativa de virar a página, porém, não elimina consequências políticas concretas. A exposição pública do desentendimento entre membros da família presidencial amplia o desgaste e complica a narrativa de coesão do PL na largada da pré-campanha. Para além do gesto conciliador, a campanha terá de gerir riscos eleitorais e institucionais: manter a união sem silenciar tensões internas será desafio para a estratégia que tenta transformar um episódio pessoal em movimento de contenção política.