O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que se apresenta como pré-candidato à Presidência, qualificou nesta quarta-feira a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do STF, que o impede de conversar com o pai Jair Bolsonaro por 90 dias, como uma “perseguição desumana” e uma interferência no processo eleitoral. Em entrevista no Flow Podcast, o parlamentar afirmou que a medida — válida até pouco após o primeiro turno — atropela seu direito de atuar como advogado constituído e dificulta a articulação política da oposição num momento de campanha.

A restrição foi tomada depois que Flávio leu publicamente uma carta manuscrita do ex-presidente — a quinta de uma série iniciada em dezembro do ano passado, segundo o senador. Ele relata que as mensagens foram apresentadas em diferentes ocasiões, entre elas em 5 de dezembro, 25 de dezembro e em atos durante o primeiro semestre, e sustenta que a leitura do último documento teria servido apenas como pretexto para justificar o bloqueio do contato familiar durante o período eleitoral. A versão apresentada por Flávio é a de que a decisão busca fragilizar politicamente Jair Bolsonaro e isolar seu entorno.

Além do veto à comunicação direta entre pai e filho, o senador descreveu um regime rígido de visitas e atendimento: familiares veriam o ex-presidente apenas às quartas e sábados, por duas horas, enquanto a atuação da defesa técnica estaria limitada a 30 minutos diários, de segunda a sexta — restrições que, segundo ele, não existiam antes da prisão domiciliar. Flávio também relatou dificuldades enfrentadas por outros parentes, como Renato Bolsonaro, e criticou a proporcionalidade das medidas impostas pela autoridade judicial.

O episódio tem efeitos políticos imediatos. Ao mesmo tempo em que expõe um conflito entre decisões judiciais e liberdades civis alegadas pela família, o episódio tende a alimentar a narrativa de perseguição perante o núcleo de eleitores bolsonaristas, complicando a comunicação institucional sobre o caso. Para adversários e analistas, a medida sinaliza tensão entre controle judicial de condutas e limites do processo eleitoral; para aliados do ex-presidente, reforça um discurso de cerceamento. Resta acompanhar o desdobrar no Judiciário e a repercussão eleitoral: a decisão de Moraes não só altera o dia a dia da defesa, como introduz um elemento de disputa simbólica que pode influenciar o ambiente político rumo a 2026.