O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) desembarcou na tarde desta terça-feira nos Estados Unidos depois de deixar o Brasil ainda de madrugada em um voo fretado, segundo apuração. Fontes da Polícia Federal informaram ao Correio que o parlamentar ingressou nos EUA com passaporte italiano — cidadania obtida em 2023, conforme fontes diplomáticas — e pretende alegar perseguição política para pedir asilo.
A PF realizou uma investigação relâmpago e comunicou a situação ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, que terá de decidir os próximos passos. Não havia pedido de prisão na Corte; a determinação era apenas a apreensão dos passaportes. Pessoas próximas a Moraes avaliam, contudo, que ele pode ordenar a prisão e solicitar a inclusão do nome do senador em listas internacionais de buscas.
Agentes ouvidos pela reportagem afirmaram que há suspeita de que a operação tenha sido coordenada por Marco Rubio, figura política dos Estados Unidos mencionada pelas fontes. A versão, se confirmada, desloca o conflito para uma dimensão diplomática e amplia a internacionalização do caso, o que pode gerar atrito com interlocutores americanos e complicar a estratégia política da família Bolsonaro.
Politicamente, a saída de Flávio amplia desgaste para o PL e para a narrativa de defesa baseada em perseguição. Além do impacto jurídico imediato — risco de prisão e medidas internacionais —, a manobra força aliados a decidir entre sustentação pública e custo político, enquanto o Supremo passa a lidar com um episódio que tem repercussão externa e potencial de contagiar debates eleitorais e institucionais.