O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) chegou nesta quarta-feira a Miami, no aeroporto de Opa-Locka, após voo de cerca de quatro horas registrado pelo site FlightAware. A viagem ocorreu 48 horas depois da derrota eleitoral para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e envolveu travessia da fronteira argentina pela Ponte Internacional Tancredo Neves, em Misiones, às 22h50 de terça-feira, seguida de embarque em voo privado rumo a Guayaquil, no Equador. A Direção Nacional de Migrações da Argentina confirmou a passagem da família.
Fontes ouvidas pela imprensa internacional, incluindo a Reuters, relataram que o senador seguiu para os Estados Unidos. A saída contrasta com vídeo publicado por Flávio na véspera, em que dizia ter intenção de permanecer no país para organizar a oposição. Além disso, ele não entregou os passaportes no prazo determinado pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), numa investigação que envolve suspeitas de lavagem de dinheiro, na qual também é citado o advogado Willer Tomaz. Ambos negam irregularidades.
O episódio traz consequências políticas imediatas: a diferença entre o discurso público e a decisão de sair do país amplia a narrativa de evasão e expõe fissuras na liderança do PL. A sugestão feita publicamente por Eduardo Bolsonaro de que o irmão deixasse o Brasil em caso de derrota—citada na decisão que exigiu a entrega dos passaportes—agrava a percepção de que a estratégia da família busca operar fora do espaço político institucional.
Do ponto de vista jurídico e institucional, o descumprimento da determinação judicial pode abrir caminho para novas medidas cautelares ou reforçar pedidos de investigação, enquanto politicamente a saída complica a capacidade de Flávio de atuar como líder da oposição internamente. O episódio aumenta a pressão sobre o PL para explicar o episódio e força o partido a calibrar a narrativa diante de eleitores e da Justiça.