O encontro entre o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o também senador Cleitinho Azevedo (Republicanos), marcado para o final da tarde desta quarta-feira (3/6) em Patos de Minas, assume papel central na costura política do estado. Em jogo está a sinalização de apoio que pode transformar a pré-candidatura de Cleitinho à Prefeitura do Palácio da Liberdade em uma frente competitiva, com reflexos diretos na estratégia do PL mineiro.

A articulação aponta para uma chapa 'puro-sangue' dos Republicanos, com o nome do prefeito Luis Eduardo Falcão, de Patos de Minas, como vice. Falcão é visto como ativo político relevante pela rede de contatos que mantém em municípios por ser diretor da Associação Mineira de Municípios (AMM). Segundo apuração, Cleitinho recebeu a sinalização positiva, mas pediu prazo de dez dias para sacramentar a decisão — um recuo que revela cautela e margem de negociação.

Dentro do PL, a eventual aliança com os Republicanos está atrelada à decisão de Flávio. A aposta do partido, caso confirme apoio ao projeto de Cleitinho, seria lançar Marcelo Aro e Domingos Sávio ao Senado — movimento que busca aproveitar sinergias locais e consolidar palanques. Parlamentares aliados reconhecem que a presença de Flávio na articulação funciona como elemento definidor: sem o seu aval, o PL já trabalha alternativas internas, como Flávio Roscoe e Vittorio Medioli como opções ao governo.

A operação política tem custo e benefício. Do lado positivo, a costura com os Republicanos pode ampliar capilaridade em municípios e somar redes clientelares essenciais em Minas. Por outro lado, concentra poder decisório fora da estrutura estadual do PL e submete a disputa a um cálculo nacional ligado à família Bolsonaro. Esse arranjo acende alerta para rivais e para aliados: a dependência do aval de um nome nacional pode desgastar lideranças locais e criar fraturas internas se as compensações não forem claras.

O prazo de dez dias e o encontro em Patos de Minas colocam a cena política mineira em compasso de espera. A definição que sair dessa reunião não é apenas sobre uma chapa; terá efeito sobre a estratégia do PL para as eleições estaduais e sobre as costuras para 2026, ao sinalizar como o campo bolsonarista pretende distribuir espaços e poder no principal colégio eleitoral do país.