Em uma transmissão ao vivo na manhã de domingo (6), o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro buscou vincular diretamente a pressão de rua ao destino de uma eventual investigação contra o ministro Alexandre de Moraes no Supremo Tribunal Federal. Sem que exista, até o momento, calendário público para o julgamento no plenário, Flávio cobrou abertamente o voto da ministra Cármen Lúcia e questionou a coerência entre sua trajetória de 'defensora da democracia' e uma eventual postura de proteção ao colega de Corte.
O tom usado pelo candidato mistura cobrança pessoal e convocação de mobilização: ao pedir que os apoiadores saiam às ruas no 7 de Setembro, ele anunciou que a lotação das manifestações seria determinante para o resultado do julgamento. A argumentação transforma um processo judicial em questão de força política nas ruas, um enquadramento que, além de pressionar membros do STF, tende a aprofundar a instrumentalização do Judiciário na disputa eleitoral. Há, portanto, um claro risco de erosão da percepção de autonomia institucional quando magistrados são chamados a 'responder' a manifestações públicas.
A crítica ao posicionamento anterior de Cármen Lúcia na Primeira Turma — mencionada pelo senador como motivo de lamento — aposta numa estratégia dupla: desgastar magistrados que não se alinhem ao discurso do bolsonarismo e consolidar apoio entre eleitores mais mobilizados. Politicamente, essa tática pode energizar a base, mas também amplia desgaste e polarização, afastando moderados e tensionando a relação entre Executivo e Judiciário. Do ponto de vista jurídico, é importante ressaltar que não há confirmação de data para julgamento em plenário, o que coloca em evidência uma contradição entre a narrativa mobilizadora e os fatos institucionais.
O episódio é sinalizado como relevante para o calendário político: além de evidenciar a tática de campanha — composta por mobilização de rua e questionamento de instituições —, coloca membros do STF sob pressão pública e midiática. O que ficará por ver é como Cármen Lúcia e a Corte reagirão a essa tentativa explícita de influência, e se a estratégia produzirá ganhos eleitorais suficientes para compensar o risco de aprofundamento da crise institucional. A tensã o entre ativismo político e independência judicial seguirá sendo um ponto central nos próximos capítulos dessa disputa.