A decisão liminar do ministro Flávio Dino, que restabeleceu Andrei Rodrigues no comando da Polícia Federal e devolveu a Leandro Almada a Diretoria de Inteligência, escalou uma disputa que já vinha mobilizando o Supremo. Em reação, o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro classificou o episódio como sinal de descontrole e pediu que o presidente do STF, Edson Fachin, conduza uma solução pública e imediata.

O choque entre ministros — iniciado quando André Mendonça determinou o afastamento dos dois delegados sob suspeita de relatórios que teriam monitorado autoridades, inclusive o próprio Mendonça — transformou uma controvérsia técnica em crise institucional. Dino sustentou que não havia elementos para manter os afastamentos, questionou a legitimidade do pedido do Partido Novo e ressaltou risco à continuidade de investigações.

A tensão teve repercussão interna: onze dos treze diretores da PF ofereceram renúncia em solidariedade aos dirigentes afastados, e a Advocacia-Geral da União chegou a solicitar a suspensão da medida de Mendonça. A alternância de decisões individuais no STF, com medidas liminares conflitantes, acende alerta sobre a fragilidade do comando institucional e sobre o risco de politização da corporação.

O caso passa agora pelo plenário do Supremo, em procedimento já aberto por Fachin para avaliar os relatórios da PF. Além de resolver o impasse imediato, a Corte terá de mostrar capacidade de preservar a autoridade institucional sem transformar apurações técnicas em instrumentos de disputa entre ministros — um teste de governabilidade que pode ter consequências políticas e institucionais relevantes no horizonte.