Na posse de Kássio Nunes Marques na presidência do Tribunal Superior Eleitoral, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) cobrou publicamente que a Corte passe a atuar com imparcialidade, termo que usou para criticar decisões anteriores. O evento contou com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e de Michelle Bolsonaro. O ato estava previsto para as 19h, mas ainda não havia começado quando ele falou nos corredores que dão acesso ao plenário.
O senador retomou críticas à condução do TSE nas últimas eleições, alegando desequilíbrio no processo eleitoral e afirmando que espera uma postura mais neutra do novo comando. Em tom de cobrança, fez analogia com árbitro de futebol para dizer que a Justiça Eleitoral não deve se tornar protagonista, porque visibilidade excessiva sinaliza erro da autoridade.
As declarações surgem num momento em que o tribunal se prepara para a disputa presidencial e debate temas como inteligência artificial, deepfakes e o enfrentamento da desinformação. Ao repetir a narrativa de parcialidade, Flávio reaponta um tema que mobiliza parte do eleitorado bolsonarista e mantém a pressão política sobre a Corte na agenda rumo a 2026.
Exigir neutralidade é uma demanda institucional legítima; transformar alegações antigas em discurso público, sem apresentação de novas provas, preserva a desconfiança e amplia o desgaste entre poder público e parcelas da sociedade. A nova presidência do TSE terá assim não só tarefas técnicas, mas o desafio político de restaurar confiança e reduzir a tensão que as declarações de hoje expuseram.