A reportagem do The Intercept Brasil divulgou nesta quarta a existência de uma relação próxima entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o banqueiro Daniel Vorcaro ao longo de quase um ano, com articulação para um patrocínio estimado em R$ 134 milhões destinado a um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. Documentos, comprovantes bancários e mensagens de WhatsApp — incluindo um áudio do próprio senador — apontam para transferências internacionais realizadas entre fevereiro e maio de 2025 e para conversas que vão até o início de novembro daquele ano, pouco antes da liquidação do Banco Master e da prisão de Vorcaro.

Flávio reconheceu o pedido de recurso e a relação com Vorcaro, mas qualificou o episódio como assunto privado: disse que se tratou de um "patrocínio privado" para um filme privado, sem uso de dinheiro público ou lei Rouanet, e negou ter oferecido vantagens ou intermediado negócios com o governo. Em nota e em vídeo, o senador afirmou também que havia contrato assinado e que a cobrança ocorreu diante de parcelas em atraso — versão reforçada pelo áudio divulgado em que ele pede o envio de recursos para pagar "parcelas para trás".

O material levantado pelo Intercept adiciona camadas que complicam a narrativa de mera iniciativa privada. Além das mensagens, o apoio passou por transferências de uma empresa controlada por Vorcaro a um fundo nos Estados Unidos gerido por Paulo Calixto, advogado ligado a figuras do entorno da família Bolsonaro. O fato de Vorcaro estar preso em Brasília e negociar possível acordo de delação amplia a incerteza: informações eventualmente prestadas pelo banqueiro podem redesenhar a compreensão sobre a natureza das transações e sobre os vínculos políticos envolvidos.

Politicamente, o episódio acende um sinal de alerta para a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro. Mesmo sem comprovação de uso de recursos públicos ou de crime até aqui, a proximidade com um executivo cuja instituição foi liquidada e que foi preso pela Polícia Federal tende a ampliar desgaste, gerar questionamentos sobre transparência e alimentar pressão de adversários e da imprensa. A disposição do senador em pedir uma "CPI do MASTER" funciona como reação defensiva, mas dificilmente neutraliza a demanda por documentos e esclarecimentos que agora ganha força, especialmente se a investigação criminal ou eventuais delações trouxerem novos elementos.