Em debate na TV Band neste domingo (18/10), o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) apresentou uma proposta econômica direta: comprar dívidas de pessoas físicas e jurídicas e suspender o pagamento das parcelas por seis meses para pessoas físicas e por um ano para empresas. Na ocasião ele criticou o programa Desenrola, do governo atual, e afirmou que reduziria rapidamente as taxas de juros, tornando possível renegociações mais favoráveis aos devedores.
O anúncio tem apelo político claro: oferecer alívio imediato a famílias endividadas e a pequenas empresas em dificuldade. Flávio também citou exemplos numéricos, dizendo que prestações de R$ 100 a R$ 200 poderiam cair para R$ 10 ou R$ 20 após a intervenção proposta. A mensagem mira eleitores afetados pelo custo do crédito e pela inflação, posicionando o candidato como alternativa ao modelo de renegociação vigente.
As perguntas relevantes, porém, permanecem técnicas e fiscais. Não houve detalhamento de como o programa seria financiado, qual seria o preço de compra das carteiras de crédito e que impacto isso teria nas contas públicas. Comprar dívidas implica transferência de risco e, dependendo do desconto aplicado, pode representar gasto significativo para o Tesouro ou operação de natureza semi-fiscal. Há também efeito sobre os bancos: como será feita a operação, que incentivos ficam para o mercado de crédito e qual será o desenho regulatório?
Além disso, a promessa de queda rápida dos juros envolve coordenação com o Banco Central e exige consistência entre política fiscal e monetária — variáveis ausentes do anúncio. Do ponto de vista político, a proposta amplia o debate sobre soluções de curto prazo para alívio do consumidor, mas também abre vulnerabilidades: opositores e mercado poderão cobrar números, estimativas de custo e minuta legal; e o eleitor deve avaliar se a medida é viável sem comprometer a saúde fiscal e a oferta de crédito no médio prazo.