A campanha do senador e pré-candidato Flávio Bolsonaro reagiu publicamente às manifestações de rua favoráveis ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e convocou uma série de atos da direita até o segundo turno. O movimento foi anunciado com ênfase no protesto marcado para domingo, 18/10, na Avenida Paulista — o mesmo cenário onde, no dia 11, apoiadores do presidente ocuparam vários quarteirões. No material divulgado nas redes, a iniciativa foi batizada como "Bloco da Vitória" e associada a aliados regionais, como o governador paulista reeleito Tarcísio de Freitas e o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes; o presidenciável também apareceu em vídeo ao lado do deputado federal eleito Lucas Pavanato, destaque nas urnas em São Paulo.
A articulação é liderada pelo deputado federal reeleito Nikolas Ferreira (PL-MG), que lançou a agenda chamada nas redes de "Bloquinho 22". Segundo a coordenação, haverá 13 manifestações entre 15 e 24 de outubro: duas no interior de Minas Gerais e 11 em capitais, com o fechamento previsto para a véspera do segundo turno no Rio de Janeiro. Nikolas sinalizou que o ato no Rio culminará na casa da família Bolsonaro na Barra da Tijuca — imóvel apontado como um marco simbólico da trajetória política do grupo, mesmo com Jair Bolsonaro residindo atualmente em Brasília, onde cumpre prisão domiciliar, como já divulgado pela imprensa.
A resposta da direita aos atos petistas reflete uma tentativa clara de neutralizar a narrativa de momentum da oposição. As mobilizações lulistas recentes — que também ocuparam a orla de Copacabana e registraram atos em diversas capitais, inclusive Brasília — sinalizaram capacidade de rua que acendeu um sinal de alerta na base bolsonarista. Para a campanha de Flávio, repetir ou superar esses números tem importância tática: energizar a militância, demonstrar força pública e disputar a agenda simbólica até o segundo turno. É, porém, uma jogada que carrega trade-offs: mobilizações volumosas podem reforçar coesão interna, mas também aprofundar a polarização e dificultar apelos a eleitores de centro se o tom privilegiar confronto em vez de propostas.
Do ponto de vista eleitoral, a disputa nas ruas testa a capacidade de transformar energia e presença em voto efetivo e logística de campanha. A agenda dos próximos dez dias funcionará como termômetro da organização partidária e da articulação com aliados regionais — inclusive para operar mobilizações simultâneas em capitais. Em resumo, a convocação bolsonarista responde diretamente ao recado das ruas dado pelos lulistas; o resultado prático, entretanto, dependerá da dimensão das manifestações e da habilidade de ambos os campos em converter visibilidade em votos e estrutura para o segundo turno.