O senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro voltou a atacar a decisão do ministro Alexandre de Moraes que autorizou mandados de busca e apreensão contra o ex-secretário de Segurança do Maranhão Raimundo Cutrim. Em publicações nas redes sociais e em coletiva, Flávio afirmou que a medida ultrapassa o caso concreto e poderia abrir precedente para a quebra do sigilo de fontes jornalísticas.

A operação foi cumprida por determinação de Moraes, a pedido da Polícia Federal, e teve parecer favorável da Procuradoria-Geral da República. A investigação corre sob sigilo; durante os procedimentos foram apreendidos aparelhos eletrônicos e celulares, informação confirmada por advogados e pela própria Corte. O fato remete a uma ação anterior, em março, que envolveu o jornalista Luís Pablo Almeida e reportagens sobre uso de veículos oficiais no Maranhão.

A posição de Flávio mistura crítica institucional e estratégia política: ao reagir publicamente à decisão do ministro, o senador busca ampliar o tema da liberdade de imprensa como bandeira de campanha, enquanto transforma um ato judicial sigiloso em debate público. A comparação com casos anteriores e a ênfase em possível precedente servem para alimentar a narrativa de cerceamento, ainda que a medida da PF tenha respaldo da PGR.

Do ponto de vista institucional, o episódio amplia o choque entre forças políticas e o Supremo, ao mesmo tempo em que coloca em evidência a tensão entre apuração criminal e proteção do jornalismo. A teatralidade da coletiva — em que Flávio ofereceu carne e fez menções à promessa presidencial de picanha — reforçou o caráter político da reação, com potencial para polarizar ainda mais a discussão sobre limites da investigação e proteção de fontes.