Em comício realizado em Vitória da Conquista (BA), o candidato do PL Flávio Bolsonaro classificou como ilegal o reajuste de 15,04% anunciado pelo governo Lula para o Bolsa Família, adotado a 17 dias do primeiro turno. No palanque, o senador afirmou que a medida tem caráter eleitoral e criticou o momento escolhido para a publicação do decreto.

O decreto foi publicado em edição extra do Diário Oficial da União e prevê aumento a partir de outubro: o piso mensal por família sobe de R$ 600 para R$ 691 e o benefício médio passa a R$ 777. Segundo o Palácio do Planalto, o percentual corresponde à variação do INPC entre março de 2023 e agosto de 2026 e tem a finalidade de recompor o poder de compra dos beneficiários; a gestão afirma que a atualização está prevista na legislação do programa.

A reação do PL reacende um debate político sobre os limites das ações do Executivo em ano eleitoral. A oposição aponta risco de uso do programa com objetivos de campanha; o governo, por sua vez, sustenta caráter técnico da correção inflacionária. A controvérsia também traz à tona o precedente de 2022, quando o então Auxílio Brasil teve o piso elevado em ano de eleição — uma comparação imediata usada pelos críticos para questionar o timing da medida.

Politicamente, o episódio complica a narrativa governista: mesmo com justificativa técnica, o anúncio à beira das urnas acende alerta sobre percepção pública e amplia desgaste diante da retórica oposicionista. Para a campanha do PL, a medida reforça argumento de que o Planalto recorre a medidas de efeito imediato para influenciar indecisos; para o governo, o desafio é demonstrar que a atualização é estritamente econômica e legal, e não uma manobra eleitoral.