No 3º Seminário Nacional de Comunicação do PL realizado no Rio de Janeiro, o senador Flávio Bolsonaro protagonizou um momento de descontração ao entrar no palco dançando ao som do chamado “funk do 01”. O gesto, que incluiu rebolado e interação com apoiadores, foi acompanhado de um pedido para que presentes abrissem lives e transmitissem uma mensagem de afeto do ex-presidente Jair Bolsonaro, numa tentativa explícita de reforçar o laço simbólico com a base bolsonarista.
A cena ocorre em meio a um momento tenso da pré-campanha do senador. Nas últimas semanas vieram à tona reportagens sobre pedido de aporte de R$ 134 milhões ao dono do Banco Master para financiar o filme biográfico de Jair Bolsonaro, e a repercussão ampliou críticas internas. Ao mesmo tempo, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro divulgou rompimento pessoal e político com Flávio, acusando-o de ter a humilhado — episódio que resultou em sua saída da presidência do PL Mulher e aumentou o desgaste do parlamentar nas redes e entre aliados. A combinação de denúncias e rachas no núcleo político mina a narrativa de coesão que a campanha tenta transmitir.
Além da turbulência doméstica, a estratégia externa do senador também enfrenta limites. Após encontros em Washington que culminaram na inclusão de facções como PCC e Comando Vermelho na lista de grupos terroristas, a Casa Branca manteve o desejo de aplicar tarifas de 25% sobre produtos brasileiros. Flávio chegou a pedir o adiamento do imposto, mas recebeu resposta do gabinete do secretário de Estado Marco Rubio indicando que os Estados Unidos seguirão com a medida. O senador tem audiência marcada no Escritório do Representante de Comércio (USTR) em 7 de julho para discutir o tema — uma frente que pode tanto trazer visibilidade internacional quanto expor contradições de sua narrativa de proteção da economia brasileira.
O episódio da dança tem, portanto, dupla leitura. De um lado, funciona como ato de campanha para humanizar a figura do candidato e manter a fidelidade da militância. De outro, evidencia a necessidade de desconstruir imagens negativas com remédios de curto prazo, enquanto persistem problemas com alto índice de rejeição e fissuras internas. Para a pré-campanha, a alternativa passa por recompor alianças, apresentar respostas factuais às denúncias e demonstrar capacidade de articulação em frentes legislativas e externas — falhas nessas frentes ampliam o desgaste e complicam a viabilidade eleitoral do projeto político de Flávio Bolsonaro.