O candidato Flávio Bolsonaro (PL) esteve nesta segunda-feira na comunidade Haliti-Paresi, em Campo Novo do Parecis (MT), onde defendeu a autonomia dos povos originários para desenvolver atividades econômicas em seus territórios. Em discurso à comunidade, vinculou a ideia de autonomia à possibilidade de transformar recursos locais em renda para os próprios moradores e anunciou a criação de um fundo específico para viabilizar crédito e investimento em insumos e maquinário.
Os Haliti-Paresi, povo de língua Aruak em Mato Grosso, são citados como exemplo por combinar preservação cultural, agricultura e etnoturismo. Flávio ressaltou que os indígenas ‘‘querem trabalhar’’ e que é preciso respeitar sua autonomia para que a riqueza local beneficie as próprias comunidades, observação que busca construir agenda de inclusão econômica sem detalhar mecanismos práticos.
A proposta de um fundo reduz uma barreira real: terras indígenas, por pertencerem à União, não podem ser usadas como garantia em empréstimos tradicionais. Ainda assim, a declaração levanta dúvidas técnicas e orçamentárias: faltam detalhes sobre a fonte dos recursos, a forma de gestão, critérios de elegibilidade e mecanismos de controle para evitar fraudes ou captura política. A ideia exige regulamentação e previsão orçamentária, pontos que não foram explicados na visita.
Politicamente, a agenda tem caráter eleitoral. Flávio foi acompanhado pelo deputado federal José Medeiros (PL-MT), candidato ao Senado, e a equipe gravou material para o horário eleitoral. A iniciativa pode ampliar a interlocução do PL com comunidades indígenas em Mato Grosso, mas será avaliada pelo grau de concretude das propostas e pela capacidade do candidato em transformar anúncios em políticas públicas eficientes e juridicamente viáveis.