O senador Flávio Bolsonaro deixou o Brasil e seguiu para os Estados Unidos depois de ter sido intimado pela Justiça a entregar o passaporte comum e o diplomático. A ordem de apresentação dos documentos, vinculada a investigação conduzida pela Polícia Federal e submetida ao Supremo Tribunal Federal, gerou um prazo cuja expiração precedeu a partida do parlamentar.

A ausência de registros oficiais que comprovem passagem pela Argentina e o silêncio do senador ampliaram especulações sobre as circunstâncias da saída. Diante das dúvidas sobre o paradeiro, a Polícia Federal cancelou os passaportes, medida confirmada por integrantes da corporação. A investigação que motivou a retenção dos documentos apura, entre outros pontos, suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas — inquérito no qual aparece o advogado Willer Tomaz.

Fontes ouvidas pelo veículo relataram que Flávio teria se encontrado nos EUA com o irmão Eduardo Bolsonaro, que vive na Flórida. Integrantes do PL também passaram a justificar internamente a saída como reação ao risco jurídico que o senador enfrenta. Há ainda informações, não oficialmente confirmadas pelo governo norte-americano, de que autoridades de Washington poderão facilitar vistos ou até acolhimento — relato que, se confirmado, introduziria um componente diplomático e político sensível na relação bilateral.

Do ponto de vista político, a movimentação complica a narrativa do bolsonarismo e acende um alerta para a oposição: a saída de um investigado em meio a procedimentos do STF expõe o grupo a críticas sobre tentativa de esquiva da Justiça e pode pressionar aliados no Congresso. Judicialmente, o episódio obrigará PF e STF a agir com celeridade e clareza para evitar vácuos de fiscalização; institucionalmente, tende a aumentar o debate sobre cooperação internacional e mecanismos de controle migratório. O caso segue como retrato momentâneo de um embate entre risco jurídico e articulação política.