Em entrevista nesta sexta-feira (8/5) à CNN, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou que as acusações que motivaram a operação da Polícia Federal contra Ciro Nogueira (PP-PI) são graves e descartou o parlamentar como opção para a vaga de vice em sua chapa. Segundo o pré-candidato, a busca agora é por uma mulher que agregue experiência ao projeto eleitoral do PL.
Flávio também ressaltou que o caso de Ciro está sob relatoria no Supremo Tribunal Federal com o ministro André Mendonça — indicado pelo presidente Jair Bolsonaro — e avaliou que isso dá ao ex-ministro a oportunidade de se defender sob os trâmites da corte. A menção ao nome do relator, feita em tom de defesa processual, trouxe à tona a ligação entre decisões judiciais e narrativa política do entorno bolsonarista.
A declaração tem efeito imediato sobre as negociações com a federação União Progressista (PP e União Brasil). Ao tratar a hipótese de Ciro como uma "cortesia", Flávio reduz a possibilidade de acomodação automática do PP na chapa e aumenta a pressão sobre a legenda para reagrupar apoios estaduais. Politicamente, a movimentação expõe fragilidades nas costuras da aliança e eleva o custo de manutenção de Ciro como figura pública central no bloco.
No plano eleitoral, o PL segue tentando consolidar palanques regionais — em Santa Catarina o partido já tem pré-candidatos a governo e Senado bem definidos — enquanto avalia nomes que atraiam eleitores e setores decisivos da coalizão. A preferência por uma vice mulher aponta para um cálculo político que busca não só ampliar apelo, mas também reduzir riscos reputacionais diante de novos desdobramentos sobre os fatos que envolveram o presidente do PP.