O senador Flávio Bolsonaro desembarcou no Ceará nesta sexta-feira (10/7) com a missão explícita de consolidar o acordo costurado entre o PL e lideranças locais: o lançamento da pré-candidatura de Alcides Fernandes ao Senado, numa chapa que tem o ex-ministro Ciro Gomes (PSDB) como candidato ao governo estadual. Aliados veem a presença como gesto público para demonstrar que a aliança segue intacta, apesar da crise recente envolvendo Michelle Bolsonaro.

O entendimento local prevê que o PL apoie Ciro ao governo em troca do compromisso de que o tucano suba no palanque presidencial de Flávio durante a campanha. A articulação foi conduzida por André Fernandes (PL-CE), figura de peso do bolsonarismo no Nordeste, e é encarada pela direção como um teste para a estratégia nacional: ampliar palanques regionais com forças de perfil independente para compensar a fragmentação da direita em diversos estados.

O principal foco de resistência foi Michelle Bolsonaro, que defendeu apoio ao senador Eduardo Girão (Novo) e criticou o acordo com Ciro. O impasse escalou para um desgaste pessoal entre Michelle e Flávio; ela deixou a presidência do PL Mulher e anunciou que repensaria uma eventual candidatura ao Senado pelo Distrito Federal. Flávio publicou pedido de desculpas público, mas interlocutores admitem que a troca expôs divisões sobre a tática eleitoral para 2026 e fortaleceu alas distintas no partido.

Dirigentes do PL minimizam impacto imediato sobre a pré-campanha presidencial e tratam a visita como sinal de normalidade política e prioridade em preservar acordos estaduais. Ainda assim, o episódio acende alerta sobre custo político e fragiliza a narrativa de unidade: a necessidade de aliar pragmatismo eleitoral à coesão interna será um desafio para o PL. Se a tendência for repetir acordos regionais com dissidentes do campo, a direção terá de gerir resistências sem ampliar a perda de capital político entre a base.