Em resposta à reação negativa de parte da imprensa e do ambiente político, Flávio Bolsonaro passou a detalhar — nesta quarta-feira — as mudanças constitucionais que diz pretender promover se for eleito. O senador do PL afirmou que pretende levar ao Congresso propostas por meio de PECs para reformar o Poder Judiciário, reduzir a maioridade penal, extinguir a reeleição e ajustar pontos da reforma tributária, incluindo regras sobre a folha e o novo IVA. As declarações ocorreram após o evento em que União Brasil e Progressistas oficializaram apoio ao seu nome.
A tentativa de clarear o discurso ocorre depois de um trecho do encontro em Goiânia que repercutiu mal, mesmo com o apoio formal de aliados como o ex-governador Ronaldo Caiado. Flávio buscou afastar interpretações mais amplas, dizendo que as mudanças seriam discutidas e aprovadas via emenda constitucional e que qualquer extrapolação seria especulação. Ainda assim, a ênfase em mexer nas regras fundamentais do sistema político e judicial voltou a abrir dúvidas sobre o alcance político dessas propostas e sobre a reação de setores institucionais e eleitorais.
Do ponto de vista jurídico e parlamentar, as medidas apontadas exigem maioria qualificada no Congresso e um debate amplo. A proposta de reforma do Judiciário levanta questões sobre independência e equilíbrio entre Poderes; a redução da maioridade penal é tema controvertido entre juristas e organizações da área social; e o fim da reeleição implica mudança na dinâmica de governabilidade. Na economia, a menção a alterações na reforma tributária e críticas à alíquota projetada do IVA sinalizam preocupação com carga tributária e possíveis efeitos sobre negócios e folhas de pagamento.
Politicamente, o discurso pode ter dupla leitura: energizar parte da base e, ao mesmo tempo, ampliar desgaste entre eleitores moderados e potenciais aliados que temem instabilidade institucional. Se a estratégia for mesmo usar uma eventual bancada majoritária para aprovar PECs, o custo político inclui batalhas legislativas intensas e maior exposição pública das contradições entre promessa e viabilidade. Para o começo da campanha, o episódio acende um alerta sobre a necessidade de tradução dessas intenções em propostas claras e factíveis, sob risco de complicar a narrativa oficial e criar mais resistência no Congresso.