MIAMI (EUA) – Em entrevista ao New York Times, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) relatou os detalhes de sua saída repentina do Brasil após a derrota na eleição presidencial. Ele contestou o resultado, esboçou planos de atuação política nos Estados Unidos e afirmou que certas informações "vai levar para o túmulo".

Segundo a reportagem, a decisão de partir ocorreu na manhã seguinte ao pleito, quando Flávio deixava o condomínio onde seu pai, Jair Bolsonaro, cumpre prisão domiciliar. Autoridades brasileiras notificaram o senador para entregar os passaportes em 24 horas; ele publicou vídeo prometendo entregar os documentos, desapareceu em seguida e chegou a Miami cerca de 42 horas depois.

para o túmulo

O trajeto de cerca de 8 mil quilômetros incluiu escalas no Equador e na Argentina, onde um dos principais assessores do presidente Javier Milei o teria recebido no aeroporto. Autoridades norte-americanas informaram que um funcionário da Casa Branca providenciou o jato particular e que Donald Trump autorizou a entrada. Flávio negou auxílio governamental e disse que levará os detalhes "para o túmulo".

Investigado por lavagem de dinheiro e corrupção, o senador perderá o foro privilegiado no início de 2027, com o término do mandato. Ele sustenta inocência e justificou a fuga pela previsão de condenação, afirmando que o Judiciário age com motivação política. Na entrevista, repetiu críticas às urnas eletrônicas, chamou o resultado de "matematicamente impossível" e atribuiu a derrota ao "sistema", sem apresentar provas.

Flávio, a mulher e as duas filhas receberam autorização de permanência humanitária por pelo menos um ano. O irmão Eduardo já mora no Texas com green card; com a recente eleição de um governador democrata no Estado, aliados sugeriram transferir a base para a Flórida. O senador disse que pretende contestar judicialmente a eleição, apoiar pautas como redução da maioridade penal e anistia para os réus do 8 de janeiro e afirmou que voltará a disputar cargos se houver novo pleito.

matematicamente impossível