Em discurso nesta sexta-feira (11/9) em Manaus, o senador e candidato do PL Flávio Bolsonaro afirmou que o Brasil está “à deriva” e sem comando, alinhando o tom de campanha contra o governo de Luiz Inácio Lula da Silva. Ao falar a apoiadores, prometeu mudanças profundas e disse que a sociedade poderá “virar essa página triste da história brasileira”, enquadramento pensado para reforçar desgaste da gestão atual.
O comício teve foco regional: Flávio defendeu atrair data centers e empresas de tecnologia para a Zona Franca de Manaus, alvo de promessas de investimento para frear a perda de projetos para países vizinhos. Na avaliação do candidato, a região precisa de incentivos para segurar empregos qualificados; tratou ainda como problema a concorrência com o Paraguai, citando custos de energia, burocracia e tributos, argumento usado para justificar propostas de estímulo econômico local.
Ao mesmo tempo, o senador fez uma defesa seletiva do Supremo Tribunal Federal: disse que pretende 'defender o STF de pessoas como Alexandre de Moraes' e falou em resgatar instituições. O recado é ambíguo: ao reivindicar proteção à Corte, criticou um de seus ministros, movimento que expõe contradição entre discurso institucional e retórica eleitoral dirigida a sua base.
A fala ocorre no dia em que documentos do STF foram tornados públicos por decisão do ministro André Mendonça e apontam que Flávio é alvo de investigação por suspeitas que incluem lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção, no contexto do financiamento do filme Dark Horse. A coincidência entre o episódio judicial e o ataque retórico ao Palácio do Planalto e a parte da Corte amplia o risco político para o candidato, que terá de responder à exposição de processos que podem complicar sua narrativa de defesa das instituições.
O episódio deve pesar no tabuleiro eleitoral: para a oposição é munição para vincular o candidato a crises de legitimidade; para a base de Flávio, a estratégia pode reforçar mobilização. Politicamente, a combinação de acusações públicas, defesa parcial do STF e promessas econômicas regionais cria um dilema de comunicação — e um sinal de alerta sobre desgaste e necessidade de reação estratégica por parte do PL.