Em ato na Avenida Paulista, o senador e candidato Flávio Bolsonaro afirmou que indicará cinco novos ministros para o Supremo Tribunal Federal sob a justificativa de que Alexandre de Moraes "vai cair". A fala foi acompanhada de ataques diretos ao magistrado, que o candidato tratou como responsável por contaminar a Corte, e de uma tentativa clara de associar o adversário presidencial ao chefe do STF.
Na mesma intervenção, Flávio detalhou o perfil dos nomeados que pretenderia levar ao tribunal: juízes contrários ao aborto, às políticas de drogas e à chamada ideologia de gênero nas escolas, e que, segundo ele, respeitem a Constituição e não persigam inimigos políticos. O tom buscou mobilizar a base conservadora e transformar escolhas judiciais em bandeira de campanha.
O discurso marca uma escalada na estratégia de confrontação com o Judiciário. Ao prometer mudança maciça na composição do Supremo, o candidato transfere para a agenda eleitoral um tema que tradicionalmente exige prudência institucional. A iniciativa tende a aprofundar a polarização, reforçar a judicialização da política e colocar pressão sobre instituições que já vêm sendo alvo de ataques públicos.
Politicamente, a promessa funciona como sinal de força para o núcleo duro do eleitorado, mas também pode ampliar resistências entre moderados e no meio jurídico. Além de mobilizar simpatizantes, a proposta altera o debate sobre independência do Supremo e credibilidade das nomeações, impondo um novo nó à tramitação de eventuais indicações e à relação entre Poderes nas semanas que antecedem a votação.