Em entrevista coletiva em São Carlos (SP), o candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, declarou que o ministro Alexandre de Moraes 'não tem a menor condição de continuar' no Supremo Tribunal Federal. O senador defendeu o fim do chamado inquérito das fake news e a criação de um código de ética para a Corte, e disse aguardar que o plenário do STF autorize investigação formal contra Moraes.
A crise ganhou corpo após a Polícia Federal apreender materiais na apuração envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro e o Banco Master, com referências a Moraes e a um contrato de cerca de R$ 131 milhões entre o banco e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes. O ministro André Mendonça, relator do caso, houve pelo levantamento de sigilo de parte do material, medida contestada pela Procuradoria-Geral da República.
O episódio expõe um novo ponto de tensão entre o Judiciário e a esfera política. As declarações de Flávio acendem alerta sobre o desgaste da autoridade do Supremo e ampliam a pressão política sobre Moraes; ao mesmo tempo, a disputa sobre o sigilo e a validade das apurações coloca em xeque procedimentos internos e a percepção de imparcialidade da Corte. Fachin determinou esclarecimentos envolvendo Moraes, Mendonça, a PGR e a direção da PF, sinalizando que os desdobramentos serão observados de perto pelo plenário.
Na coletiva, Flávio também acusou o presidente Lula de manter um 'consórcio' que, segundo ele, contribui para a 'destruição da democracia' e convocou apoiadores para atos de 7 de setembro. O senador afirmou ainda que critérios para indicações ao STF devem considerar posições sobre aborto e drogas e evitar nomeados por amizade. O caso do financiamento do filme Dark Horse por recursos vinculados a Vorcaro, e os R$ 61 milhões destinados pelo banqueiro à cinebiografia, continuam sob apuração da Polícia Federal.