O senador Flávio Bolsonaro confirmou nesta terça que viajou a São Paulo para se reunir com o banqueiro Daniel Vorcaro em meio à crise gerada pelo financiamento do filme Dark Horse, inspirado na trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo o parlamentar, o contato foi motivado exclusivamente pela busca de investidores para a produção, que enfrentava dificuldades de financiamento no Brasil e acabou sendo estruturada em parte nos Estados Unidos.
Na coletiva após encontro da bancada do PL em Brasília, Flávio ressaltou que conheceu Vorcaro no fim de 2024 e o descreveu como um empresário com trânsito entre autoridades. Ainda de acordo com o senador, Vorcaro chegou a efetuar pagamentos previstos em contrato, mas deixou de honrar parcelas a partir de maio de 2025, o que levou produtores a cobrar uma posição sobre a continuidade do aporte — episódio que gerou o áudio recentemente divulgado.
O reconhecimento público da visita ocorre num momento político sensível. No PL já há movimento para conter os efeitos do caso: aliados avaliam que a associação do nome do senador ao banqueiro gerou ruído junto ao mercado financeiro e aumentou a pressão sobre sua pré-campanha. Flávio também deslocou o debate para a necessidade de uma CPMI sobre o Banco Master, buscando transformar a crise em argumento institucional contra eventuais 'contaminações' políticas.
Politicamente, a situação expõe um dilema para o partido: a tentativa de demonstrar transparência e encerrar a pendência sobre o filme corre ao lado do risco de aprofundar a associação com um personagem submetido a medidas judiciais. Para o PL, o desafio é limitar o custo político e econômico do episódio sem alimentar teses de impropriedade que podem comprometer apoio financeiro e eleitoral nas próximas etapas da campanha.