O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) divulgou nesta quarta-feira um vídeo em que explica a negociação com o banqueiro Daniel Vorcaro e pede a instauração da Comissão Parlamentar de Inquérito sobre o Banco Master. Na peça, ele apresenta o episódio como uma tentativa de captar recursos privados para a produção de um longa sobre a trajetória do pai, assegura que não houve uso de dinheiro público e defende a investigação parlamentar como forma de distinguir práticas ilegítimas de operações privadas.
Reportagem do portal Intercept informou que a negociação teria envolvido a cobrança de R$ 134 milhões a Vorcaro para viabilizar o filme Dark Horse, que retrata a vida de Jair Bolsonaro. Flávio afirma ter conhecido o empresário em dezembro de 2024 e diz que o pagamento das parcelas foi interrompido, circunstância que, segundo ele, poderia ter inviabilizado a conclusão e a exibição da obra. O senador afirma que o longa está pronto e programado para estrear em circuito nacional ainda este ano.
A repercussão política é imediata e ambivalente. O pedido de CPI aproximou o parlamentar da base governista em busca de blindagem institucional, mas também expôs fragilidades: críticos dentro da própria direita, que já se empenham na disputa por espaço em 2026, classificaram a relação com Vorcaro como incompatível com a narrativa anticorrupção. O episódio ganha contornos sensíveis porque políticos de diferentes espectros — até deputados que pressionam por investigação — enxergam risco reputacional derivado da ligação entre atores privados e aliados do governo.
Do ponto de vista político, o caso acende alerta para a estratégia da campanha e complica a narrativa oficial sobre diferenciação ética em relação aos adversários. Além do provável custo político no curto prazo, a polêmica pode pressionar aliados e exigir respostas documentais sobre contratos e proveniência de recursos. A CPI, se instalada, será palco não só de esclarecimentos jurídicos, mas de disputa política sobre imagem e credibilidade em um ambiente já tensionado pelas pré-candidaturas de 2026.