O senador Flávio Bolsonaro reagiu neste sábado a uma fotografia que mostra o procurador‑geral da República, Paulo Gonet, ao lado do ex‑dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. Em postagem nas redes, o candidato à Presidência associou a imagem — obtida pela Polícia Federal no celular do ex‑banqueiro — a uma postura de desprezo diante da população, ligando indiretamente o episódio à gestão do presidente Lula.

A Procuradoria‑Geral da República admitiu que a foto foi feita em um evento realizado em abril de 2024, em Londres, e afirmou que o registro reuniu várias autoridades. Gonet já havia informado ao Supremo que o contato com Vorcaro foi breve, em contexto coletivo, e que não havia relação de proximidade. A assessoria da PGR também destacou que, à época, não existia investigação em curso que envolvesse o banco Master nem a participação da instituição como patrocinadora.

Do ponto de vista político, a circulação da imagem serve como munição imediata para a oposição: transforma um registro social em narrativa de contraste entre a elite e a população e amplia desgaste sobre a imagem do Ministério Público. Mesmo sem elementos que caracterizem irregularidade, a fotografia reforça dúvidas sobre a distância institucional entre autoridades e investigados e pode pressionar a PGR a detalhar agendas, contatos e critérios de participação em eventos internacionais.

Há, por fim, um risco prático de politização da pauta. Investigações que dependem de confiança institucional ficam mais vulneráveis quando atos públicos viram combustível para ataques eleitorais. O caso tende a manter pressão sobre Gonet e sobre o governo, que precisa administrar tanto o impacto simbólico quanto as demandas por transparência. A PF já integrou a imagem ao conjunto de arquivos do inquérito do Master; cabe agora aos órgãos competentes esclarecer o contexto sem que o debate se reduza a provocações de campanha.