O PL oficializou a candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro (RJ) em evento no Pacaembu, em São Paulo. O senador virou o segundo nome a se lançar na corrida — depois de Renan Santos (Missão) — e fez o ato sem anunciar um vice, nem formalizar apoios do Centrão. A peça visual que representou Jair Bolsonaro no palco foi produzida por inteligência artificial, gesto que chamou atenção pela carga simbólica.
O ato contou com discursos e saudações internacionais: Javier Milei esteve presente e Benjamin Netanyahu gravou mensagem ao candidato. Também foram exibidos vídeos de membros da família e de aliados; dentre os presentes estiveram nomes do PL, o prefeito Ricardo Nunes e o governador Tarcísio de Freitas. Apesar da mobilização de quadros do partido, a plateia teve pontos visivelmente esvaziados, sinalizando dificuldades logística ou de atração.
Politicamente, a escolha de lançar sem vice e sem costurar alianças com o Centrão amplia a incerteza sobre a capacidade do projeto de virar uma coalizão competitiva. A dependência do capital simbólico do sobrenome Bolsonaro e de apostas em apoios externos pode não compensar a falta de articulação com bancadas e partidos que viabilizam tempo de TV, recursos e estrutura regional. O apelo do prefeito por unidade interna reforça a pressão para conciliar diferenças em torno das vagas ao Senado, prioridade estratégica para o campo de direita.
O uso de tecnologia para reconstituir a imagem do ex-presidente e a ênfase em narrativa familiar marcam uma campanha personalizada. Resta ao PL transformar presença e ruído político em alianças concretas e em capilaridade eleitoral — desafio que se agravará sem um vice definido e sem o apoio do Centrão. Nas próximas semanas, a estreia de outras candidaturas, como a do PSD, deverá dar nova medida da força real do projeto bolsonarista em 2026.