O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) estreou nesta segunda-feira (7) um quadro em seu canal do YouTube batizado de TV Celular, acompanhado da esposa Fernanda e da parceira de campanha Daniella Marques. Na abertura da transmissão, ele disse que o espaço ficará no ar permanentemente e foi apresentado como um canal para ouvir histórias e versões dos apoiadores, numa tentativa de valorizar a interlocução direta com eleitores.

O movimento tem um alvo político claro: mitigar a rejeição entre mulheres. Pesquisas como as do Datafolha mostram que a desaprovação feminina a Flávio chega a cerca de 53%, taxa bem superior à observada entre homens. Para reforçar a narrativa de segurança, o senador também escalou o candidato ao Senado Guilherme Derrite (PP-SP), que, segundo a campanha, será responsável por tratar desse tema em um eventual governo.

Do ponto de vista estratégico, a iniciativa combina componente simbólico — a presença da esposa e o discurso de escuta — com um reforço em áreas tradicionalmente valorizadas pelo eleitorado de direita, como segurança. Mas tratar a desconexão com eleitoras como problema apenas de imagem pode ser insuficiente: uma plataforma digital permanente precisa se traduzir em propostas e em presença em territórios sociais onde a rejeição se cristalizou.

No curto prazo, a TV Celular oferece visibilidade e narrativa própria fora da grande imprensa. Politicamente, porém, o sinal mais relevante é que a campanha reconhece um déficit entre as mulheres e tenta corrigi‑lo por vias comunicacionais e de repertório de segurança — uma mudança que, para surtir efeito, exigirá resultados concretos além do formato.