Em entrevista à GloboNews, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou que seu contato com o empresário Daniel Vorcaro, ocorrido em 2024, se restringiu à procura de investidores privados para viabilizar um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo o parlamentar, o projeto sempre teve caráter privado e não houve irregularidade na negociação.
A declaração foi dada depois de mensagens divulgadas pelo Intercept Brasil que mencionam negociações para envio de recursos a uma conta ligada ao advogado de imigração de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. Flávio negou que os valores tenham sido destinados ao irmão e disse que o advogado atuou apenas como gestor de um fundo por ser pessoa de confiança; afirmou também não saber os valores que passaram pelo fundo. Segundo o senador, Vorcaro receberia apenas um percentual da bilheteria e não pediu contrapartida.
Flávio explicou que o filme foi concluído por um custo menor porque Vorcaro não efetuou todos os pagamentos previstos e ressaltou a existência de um contrato de confidencialidade que, na sua versão, o impedia de tornar público o patrocínio. Ao ser questionado sobre por que o patrocínio não foi tratado abertamente diante de questionamentos a Vorcaro em 2024, o senador disse que não poderia prever que o caso relacionado ao Banco Master tomaria proporção pública.
Do ponto de vista político, a insistência em cláusulas de confidencialidade, a negativa em informar valores e a divulgação de mensagens pelo Intercept deixam margem para questionamentos sobre transparência e governança dentro do círculo da família Bolsonaro. O episódio acende alerta sobre a necessidade de documentos e explicações adicionais: a estratégia de financiamento privado, se obscura, tende a ampliar desgaste político e a alimentar pedidos de esclarecimento por oposição e imprensa.