A saída de Flávio Bolsonaro rumo aos Estados Unidos reacendeu o debate sobre a vulnerabilidade do mandato no Senado. Fontes e reportagens indicam que, até o momento, não houve comunicação formal à Casa nem pedido de licença protocolado — circunstância que, por si só, não provoca perda automática do cargo, mas acende alerta sobre eventuais desdobramentos jurídicos e políticos.
O advogado Guilherme Augusto Mota, especialista em direito constitucional, lembra que a permanência no exterior não é causa direta para a perda do mandato. O risco real nasce se o parlamentar deixar de cumprir obrigações previstas pelo Regimento e pela Constituição, sobretudo a regra que prevê perda do mandato em caso de excesso de faltas a sessões deliberativas, quando não houver justificativa válida.
Há efeitos práticos antes mesmo de qualquer decisão extrema: faltas sem justificativa podem acarretar desconto de subsídio e registrar desgaste institucional. O Senado permite pedidos de licença por interesse particular — de até 120 dias por sessão legislativa e sem remuneração —, que precisam ser requeridos por escrito e analisados pela Mesa Diretora. Protocolar um pedido não resolve retroativamente ausências já contabilizadas.
Do ponto de vista político, a manutenção de um senador fora do país sem comunicação formal complica a narrativa do próprio parlamentar e coloca aliados em posição difícil, ampliando questionamentos sobre comprometimento com funções legislativas. Para que o mandato efetivamente corra risco é preciso a combinação de faltas acumuladas sem justificativa, eventuais recusas regimentais e o seguimento dos procedimentos legais; até lá, a situação permanece como um foco de desgaste e incerteza.