Flávio Bolsonaro participou, na quinta-feira (4/6), da Marcha para Jesus em São Paulo e pediu ao público que elevasse orações pelo pai. No evento religioso, o pré-candidato carregou uma bandeira de Israel e fez apelo para que o país retome relações de proximidade com o Estado israelense. A cena teve forte apelo simbólico diante de uma plateia majoritariamente evangélica.
O pedido público de orações foi acompanhado por publicação nas redes sociais em que o político afirmou ver na fé uma fonte de força e esperança — e ressaltou que a manifestação de apoio espiritual ao pai se repetia no evento. Em discurso improvisado, citou a importância da participação religiosa, destacando o papel das mulheres nas orações e convocando a congregação a interceder pelo agrupamento familiar e pela nação.
A presença de Flávio na Marcha para Jesus e o uso explícito de um símbolo estrangeiro têm efeitos políticos evidentes: reforçam a ligação com o eleitorado evangélico e com setores conservadores que valorizam a afinidade com Israel. Ao mesmo tempo, a ação acende alerta sobre a instrumentalização de espaços religiosos em época pré-eleitoral e tende a intensificar a polarização já existente no debate público.
O gesto ganhou contraste com a decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de não comparecer, alegando que evitaria participar de atos religiosos em período eleitoral para não dar impressão de aproveitamento político — postura transmitida por representante ao evento. A diferença de condutas desenha duas estratégias: a de mobilização direta do apoio religioso e a de distanciamento institucional. Para a campanha de 2026, a posição de Flávio pode consolidar bases, mas também suscitar críticas sobre mistura entre fé e política.