Em pronunciamento na 27ª Marcha a Brasília em Defesa dos Municípios, o senador e pré-candidato Flávio Bolsonaro fez duras críticas ao governo Lula e apresentou um pacote de propostas centradas em menor carga tributária, ampliação da autonomia municipal e endurecimento nas políticas de segurança pública. O tom eleitoral do discurso buscou consolidá-lo como alternativa ao atual Executivo junto a prefeitos e lideranças locais.
Flávio reapontou a insuficiência do programa federal de renegociação de dívidas, afirmando que mais de 80 milhões de brasileiros têm contratos indexados à taxa Selic e criticando a discrepância entre o estoque de dívidas — que, segundo ele, soma cerca de R$ 700 bilhões — e os R$ 4,5 bilhões previstos no chamado 'Desenrola'. Prometeu reduzir o endividamento das famílias por meio de um “ajuste de contas” que, segundo sua narrativa, diminuiria despesas e a curva de juros futura.
Ao reivindicar o rótulo de municipalista, resgatou o eixo da gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro — resumido no bordão ‘menos Brasília e mais Brasil’ — e afirmou que houve distribuição recorde de recursos federais aos municípios. Anunciou que vai vetar ou obstruir iniciativas do Congresso que imponham custos às cidades sem fonte de financiamento identificada, posicionamento que tende a gerar atrito com parlamentares e gestores locais dependendo da prática orçamentária adotada.
Na pauta trabalhista, o senador defendeu modernizações para adaptar a legislação a formatos como home office e aplicativos, propondo um modelo de pagamento por hora que preservaria garantias constitucionais como 13º, férias, FGTS e contribuição ao INSS. Sustentou que jornadas mais flexíveis — incluindo esquemas 4x3 ou meio período — dariam mais opção ao trabalhador, com ênfase especial nas dificuldades de conciliação enfrentadas por mulheres.
No campo da segurança, comprometeu-se a criar um Ministério da Segurança Pública com orçamento robusto para apoiar municípios e a reforçar as guardas municipais com investimentos em inteligência artificial, monitoramento e integração de bases de dados. Em tom beligerante, dirigiu-se diretamente a facções criminosas, afirmando que elas seriam alvo de ação enérgica. Também mencionou maior atenção à violência no Nordeste, qualificando a região como solução, não problema.
O discurso funciona como sinal político: Flávio tenta ampliar apoios entre prefeitos e endurecer sua imagem em segurança, mas algumas propostas — em especial a defesa de anistia para participantes dos atos de 8 de janeiro e a retórica de confronto com facções — podem aprofundar polarizações e criar impasses institucionais. A promessa de vetos a medidas que onerem municípios sem fonte de recursos abre campo para disputa com o Congresso sobre regras fiscais e autonomia local.