O senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro reagiu nas redes sociais após a divulgação de que havia viajado com a família em um jatinho cujo controle societário envolvia, posteriormente identificado, o banqueiro Daniel Vorcaro. Em sua postagem, o parlamentar atribuiu a propriedade à participação de um amigo e advogado, buscando afastar ligação direta com Vorcaro, e aproveitou para lançar uma provocação contra o ministro do STF Alexandre de Moraes.

O voo ocorreu em 19 de janeiro de 2025, entre a Flórida e Brasília, com embarque registrado na companhia de Willer Tomaz. No fim de 2024, porém, parte da cota do avião havia sido vendida à empresa Prime You, ligada a Vorcaro; além disso, documentos apontam participação do banqueiro em outra sociedade proprietária da aeronave a partir de 2024. O cenário técnico cria uma sobreposição de interesses que a nota pública de Flávio não esclarece por completo.

O episódio tem dupla dimensão política: por um lado, a tentativa de deslocar o foco para um jogo de ironias contra Moraes reforça a estratégia de confronto do candidato com o Judiciário; por outro, mantém uma questão prática sobre transparência de deslocamentos e vínculos com empresários que, mesmo indiretamente, podem afetar percepção pública. A circulação de imagens de outras figuras públicas embarcando na mesma aeronave — citadas na apuração — agrava o problema de imagem, ainda que não constitua prova de irregularidade.

Para a campanha, o risco é claro: a defesa por meio de troça e ataques pessoais não apaga a coincidência societária e pode alimentar narrativas adversas sobre proximidade a operadores financeiros. O caso tende a virar tema de oposição e atenção da mídia, obrigando a equipe do pré-candidato a detalhar a cronologia da propriedade do jato e a sustentabilidade de sua versão pública se quiser mitigar o custo político.