O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) se encontrou neste domingo (30/8) em São Paulo com o ministro da Justiça e Segurança Pública de El Salvador, Gustavo Villatoro. No encontro, segundo a campanha, Flávio criticou a atuação do governo petista na área de segurança e citou as medidas do presidente Nayib Bukele como referência para suas propostas caso seja eleito em 2027.
Entre as iniciativas anunciadas pelo senador está a criação de um Ministério da Segurança Pública exclusivo, com objetivo de coordenar ações entre União, estados e polícias municipais. Flávio também defendeu maior compartilhamento de informações e inteligência e afirmou que a União precisaria oferecer suporte financeiro e estrutural para reforçar operações locais.
A estratégia sinaliza uma aposta clara em pauta de lei e ordem que visa recuperar eleitorado sensível ao tema, mas também levanta questões práticas e institucionais. A centralização de políticas de segurança tende a gerar resistência de governadores e prefeituras que hoje detêm competências operacionais, além de suscitar debate sobre limites constitucionais e garantias de direitos diante do exemplo estrangeiro citado.
Referir-se ao modelo salvadorenho promove efeito duplo: fortalece a narrativa de eficiência para parte do eleitorado e, ao mesmo tempo, expõe a proposta a críticas sobre autoritarismo e risco de confrontos federativos. Politicamente, a iniciativa pode consolidar a imagem de Flávio como alternativa dura contra a criminalidade, mas também ampliar pontos de tensão com aliados e rivais quando a campanha entrar em fase mais competitiva.