O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) negou nesta quinta-feira (14), em entrevista à Globonews, que recursos aportados por Daniel Vorcaro tenham sido repassados ao irmão Eduardo Bolsonaro, que reside nos Estados Unidos. Segundo o parlamentar, “todos os recursos que foram aportados neste fundo, que é específico para a produção deste filme, foram utilizados integralmente”. Flávio afirmou que sua função foi captar investidores para o longa 'Dark Horse', sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro.

A negação ocorre após o site Intercept Brasil divulgar áudio em que Flávio cobra R$ 134 milhões de Vorcaro para financiar a produção. A conversa foi gravada em novembro e divulgada um dia antes da prisão do banqueiro, detido pela Polícia Federal em operação ligada a um esquema de corrupção que envolve pagamentos de propina, lavagem de dinheiro e lobby. No áudio também aparecem expressões de proximidade, como “meu irmão”, que o senador justificou como linguagem coloquial do Rio e não prova de intimidade financeira.

O episódio acende alerta e amplia desgaste para a família Bolsonaro ao expor vínculos com um empresário alvo de investigação federal. Mesmo negando amizade com Vorcaro e afirmando que as relações foram estritamente profissionais, Flávio enfrenta o desafio de demonstrar transparência sobre a origem e o destino dos recursos. A divulgação do áudio e a prisão do financiador elevam o nível de questionamento político e podem reforçar pressão de opositores e de órgãos de controle por mais informações.

No campo político, a repercussão complica a narrativa oficial sobre a captação de recursos para projetos ligados ao clã Bolsonaro e levanta dúvidas sobre controles internos em fundos de produção. Resta acompanhar se documentos e contratos apresentados pelo senador serão suficientes para dissipar suspeitas; até lá, o caso tende a manter-se como fonte de desgaste e alvo de investigação política no debate público.