O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou nesta sexta-feira estar “tranquilo, firme e seguro” diante das denúncias sobre a negociação de R$ 134 milhões com o banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. Em entrevista, ele reiterou que os recursos teriam sido destinados ao financiamento do filme Dark Horse e negou que qualquer valor tenha sido repassado indevidamente ao irmão, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, que está nos Estados Unidos.
Flávio disse ainda que Eduardo deve divulgar um vídeo com explicações sobre seu papel no projeto, apontado em reportagens como produtor executivo responsável pela gestão da verba. O senador admitiu ter adotado uma postura inicial de negação por orientação estratégica e pediu desculpas por qualquer confusão, acusando adversários de “jogo sujo” ao trazer o caso à tona. Também afirmou que investidores teriam recusado participar por receio de represálias relacionadas a decisões judiciais, citando em sua fala o ministro Alexandre de Moraes e a atuação da Polícia Federal.
A apuração ordenada por um ministro do Supremo Tribunal Federal para verificar se emendas de deputados do PL foram destinadas ao projeto mantém a controvérsia em aberto. Politicamente, o episódio acende alerta para a campanha e amplia desgaste sobre a família Bolsonaro: exige não apenas provas documentais, mas explicações públicas críveis para conter dúvidas sobre legalidade e transparência. Para o PL, a forma como o caso evoluirá pode alterar a narrativa eleitoral e a confiança de doadores e aliados.
Além da defesa e das promessas de explicação, resta saber se os documentos e os depoimentos serão suficientes para dissipar suspeitas. A investigação judicial e a divulgação de comprovantes de destino dos recursos serão decisivos para mitigar o impacto político; na ausência de clareza, o episódio tende a reforçar críticas sobre permeabilidade entre política, financiamento privado e projetos artísticos usados como fachada de operação financeira.