O senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro publicou nesta quinta-feira um vídeo em que nega categoricamente qualquer intenção de retirar o título de "Padroeira do Brasil" atribuído a Nossa Senhora Aparecida. Na gravação, feita durante agenda em Minas Gerais, ele classificou as circulações como mentira e afirmou respeitar todas as crenças, aproveitando para criticar o presidente Lula.

A origem do boato tem ligação com uma menção em transmissão jornalística sobre articulações de parcela do eleitorado evangélico e com o Projeto de Lei 2.623/2007, de autoria do então deputado Victório Galli. Esse projeto, que propunha mudar a redação do feriado de 12 de outubro, foi arquivado pela Câmara em 2008 e não tem qualquer conexão formal com o senador Flávio Bolsonaro.

A campanha de Flávio diz que a assessoria jurídica estuda levar o caso ao Tribunal Superior Eleitoral e que já tenta identificar perfis que teriam iniciado as postagens. Do ponto de vista político, a circulação de boatos desse tipo força o candidato a desviar agenda para desmentir rumores e pode mobilizar eleitores religiosos — ao mesmo tempo em que expõe a disputa pelo controle da narrativa nas redes sociais.

A reação pública do senador, além de inocentar-se da acusação, busca transformar o episódio em argumento eleitoral ao contrapô-lo ao presidente. Politicamente, o episódio acende alerta sobre o impacto das fake news no calendário de campanha e sobre o custo de reputação que disputas religiosas e digitais podem cobrar dos concorrentes nas próximas eleições.