O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) apresentou aos colegas de bancada, em reunião do PL em Brasília, uma “sugestão” para tratar a questão da escala 6x1: em vez de simplesmente extinguir o modelo, flexibilizar a Consolidação das Leis do Trabalho permitindo o pagamento por hora e deixando ao empregado a escolha do período de trabalho. Segundo o parlamentar, a mudança deveria preservar direitos como décimo terceiro, férias e FGTS, proporcionais às horas trabalhadas, e acompanhar as transformações trazidas por avanços tecnológicos.

A proposta foi colocada por Flávio como alternativa ao projeto do Executivo, que prevê a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas e a garantia de dois dias de descanso remunerado. O senador criticou a iniciativa do governo como inoportuna e eleitoreira, argumentando que a proposta federal não solucionaria problemas de produtividade e poderia elevar desemprego e custos. Flávio também afirmou que a remuneração por hora daria flexibilidade especialmente a mulheres que precisam conciliar trabalho e cuidados familiares.

O contexto parlamentar é conflituoso: o texto do Executivo tem apoio de entidades sindicais e resistência de setores patronais, e a questão divide especialistas. Pesquisa da Nexus citada na discussão aponta que 73% dos brasileiros apoiam o fim da escala 6x1 desde que não haja redução salarial. Dados do IBGE (Pnad Contínua) mostram desigualdade de cuidados entre gêneros, com mulheres dedicando em média muito mais horas a afazeres domésticos — argumento usado pelo governo para justificar a prioridade da mudança.

Politicamente, a movimentação de Flávio combina mensagem social — flexibilidade e suposta ampliação de oportunidades — com um discurso liberal sobre mercado de trabalho, o que lhe permite diferenciar-se do Executivo e posicionar-se antes da corrida eleitoral. No entanto, a ideia enfrenta obstáculos técnicos e políticos: alterar a CLT para remuneração horária exige detalhamento sobre proporcionalidade de benefícios, fiscalização e garantias coletivas; além disso, a proposta pode ser interpretada como redução de proteções por parte de críticos, complicando coalizões no Congresso. O debate seguirá no plenário e tem potencial para reconfigurar o jogo político em torno do tema até 2026.