O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, afirmou em entrevista ao Flow News nesta quarta-feira (15/7) que o Brasil "está longe de ser uma democracia" e atribuiu ao Supremo Tribunal Federal uma atuação que, em sua avaliação, interfere no processo eleitoral. Na conversa, ele criticou decisões da Primeira Turma e voltou a apontar o ministro Alexandre de Moraes como alvo de críticas.
Flávio considerou que a decisão que o impede de manter contato com o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, por 90 dias insere-se em um padrão de medidas que, segundo ele, dificultam tanto a defesa jurídica do ex-presidente quanto a articulação política da direita no período pré-eleitoral. Chamou a limitação de ofensiva e afirmou que já havia divulgado outras mensagens do pai sem consequência.
Ao ser questionado pelo apresentador sobre a leitura pública de uma carta escrita por Jair Bolsonaro, Flávio defendeu a atitude e rejeitou a ideia de provocar novos atos do ministro. A declaração reforça a estratégia do grupo de transformar decisões judiciais em narrativa política de perseguição — movimento que pode energizar a base, mas também ampliar a polarização em torno do Judiciário.
O episódio levanta implicações institucionais: além de tensionar a relação entre Poderes, as acusações públicas de interferência eleitoral acendem alerta sobre a percepção de imparcialidade do STF e complicam a narrativa do campo que critica a Corte. A disputa verbal promete manter alta a temperatura política até 2026, com efeitos sobre a agenda de campanha e a própria legitimidade das medidas judiciais adotadas.