O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ocupou o tempo da liderança do partido no Congresso para oficializar um pedido de Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) sobre o Banco Master. Na tribuna, ele sustentou que a investigação é necessária para esclarecer laços entre o empresário Daniel Vorcaro, o ex-sócio Augusto Lima e autoridades públicas, e exigiu que ambos prestem depoimento no colegiado, afirmando não temer apurações.
A iniciativa tem claro recado político: além de buscar desgaste sobre o governo, o gesto é uma demonstração de força de um pré-candidato que quer manter a agenda de litígio público. Flávio também criticou a Polícia Federal, acusando-a de interferência e suposto aparelhamento em investigações, e citou casos que vinculam o PT a escândalos passados. A ausência de assinaturas do campo governista no requerimento, segundo o senador, reforça a narrativa de resistência do lado oposto.
O pedido acende alerta para o Planalto. Uma CPMI com apelo midiático tende a ampliar pressão sobre o governo Lula, forçar respostas institucionais e obrigar aliados a se posicionarem. Para o autor do requerimento, a comissão é instrumento de exposição política; para a base governista, pode representar risco de dispersão de energia política em um momento de desafios econômicos e de segurança pública apontados pelo próprio senador durante o discurso.
Do ponto de vista eleitoral, a ofensiva sinaliza aposta em polarização e em temas de integridade institucional como moeda política. Resta saber se o movimento conseguirá adesão suficiente no Congresso para avançar e como a PF, o Judiciário e o Executivo reagirão. Seja qual for o desfecho, o pedido deve sustentar a narrativa de oposição de Flávio Bolsonaro e manter o caso no centro da agenda política nas próximas semanas.